

Muitas das boas ideias surgem nos momentos de dificuldade. E assim foi também com o cooperativismo. Esse movimento se iniciou com um grupo de trabalhadores que estava insatisfeito com a falta de empregos e os baixos salários pagos pelas empresas europeias depois da Revolução Industrial e, por isso, buscou alternativas para melhorar a situação. O cooperativismo no Brasil começou a ser visto desde a colonização portuguesa.
Seu início oficial por aqui foi em Minas Gerais, no ano de 1889, com a fundação da Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, com foco principal no consumo de produtos agrícolas. Depois disso, surgiram outras cooperativas nesse estado e também em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Com a propagação do cooperativismo no Brasil houve a expansão de um modelo autônomo, com o objetivo de suprir as necessidades dos seus membros e libertá-los da dependência de possíveis especuladores.
Em 1969, o cooperativismo ganhou sua própria entidade representativa, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a qual, como sociedade civil e sem fins lucrativos, permanece como representante e defende os interesses das cooperativas até o dias de hoje.
Segundo dados da OCB, atualmente o Brasil conta com aproximadamente 7 mil cooperativas e o segmento teve um crescimento em torno de 10% a 12% somente em 2017. Outros dados interessantes são:
Como as cooperativas auxiliam e beneficiam empresas e trabalhadores?
Ter um negócio no Brasil é um grande desafio, principalmente em meio aos altos tributos e ausência de incentivo do governo para as empresas. Soma-se o alto custo de funcionários sob o regime celetista de contratação, principalmente para mão de obra especializada, que muitas vezes são de suma importância para entrega do serviço.
Segundo a responsável pelo jurídico da Goldcooper Cooperativa de Trabalho, Edilaine Farias, por meio do cooperativismo as empresas conseguem ter uma redução significativa nas despesas fixas e, com isso, segurança e recursos no momento de investir, expandir ou até mesmo reestruturar o negócio.
“Além disso, sabemos que uma das maiores dificuldades de RHs é fazer gestão desse profissional, solucionando conflitos, tirando dúvidas e disponibilizando benefícios, entre outros. Esse papel as cooperativas executam com propriedade, garantindo assim a boa execução da atividade do empresário, e consequentemente contribuindo para o crescimento das empresas”, salienta.
Outros benefícios para as empresas, segundo a profissional, são:
● a qualidade dos profissionais que estão atuando no negócio do cliente, os quais são selecionados por especialistas voltados para o segmento da atividade a ser desenvolvida;
●o tomador de serviços pode canalizar as suas forças em estratégias de desenvolvimento do próprio negócio, enquanto a cooperativa efetua a seleção, gestão dos benefícios, folhas de pagamento, etc, dos seus profissionais, para que atuem de forma satisfatória;
●redução de custo com departamento pessoal, Recursos Humanos, e também no valor da folha de pagamento de até 60%.
Para os trabalhadores, Edilaine destaca um acesso maior a ofertas de trabalho e agilidade na recolocação profissional, o que demonstra o impacto social do cooperativismo no Brasil. “Além disso, como autônomos associados à cooperativas, conseguem efetuar a gestão de sua carreira e do seu tempo, ter voz ativa em busca de melhores condições de atuação, acesso a benefícios com menor custo, assim como a assessoria e troca de conhecimento com profissionais ligados à sua área de atuação”, explica.
Embora o cooperativismo no Brasil não seja regido pela CLT, a flexibilização da legislação trabalhista trouxe mais competitividade e abertura de novas possibilidades de trabalho.
Segundo Edilaine Farias, a primeira mudança significativa é a valorização da autonomia das partes para estabelecer acordos no contrato de trabalho, valorizando dessa forma a condição do trabalhador de estabelecer sua relação de trabalho. A legislação, por meio do artigo 442, traz a reafirmação do não vínculo empregatício a profissionais que atuam como autônomos.
“Uma das mudanças de maior impacto é que após a segmentação das cooperativas, alguns nichos eram prejudicados com um campo de operação restrito. A extensão da possibilidade de terceirização da mão de obra, não somente para atividades meio, mas agora também para atividade fim, é essencial para que cooperativas de segmentos com maior especialidades, como por exemplo, de tecnologia e saúde, se desenvolvam com o maior espaço para atuação”, comenta Edilaine.
“Outro ponto de destaque é a possibilidade de atuação através de contrato intermitente, em que ao trabalhador alterna períodos de inatividade e atividade. Esta flexibilidade é frequente na atuação das cooperativas, onde o profissional, como autônomo, é remunerado somente pelas horas efetivamente trabalhadas. Portanto, a prática ganha força com a nova regulamentação.
Conheça agora as vantagens de atuar em parceria com as cooperativas de trabalho?
O cooperativismo é uma oportunidade para as pessoas que estão em busca de recolocação diante de um mercado de trabalho cada vez mais escasso de empregos, onde a cada dia os índices não diminuem. Torna-se também uma alternativa para os empresários, no que tange a mão de obra especializada e qualificada, tendo um carga tributária bastante atrativa.